Cooperativa de Cultura: artistas lutam pelo acesso ao mercado de forma justa

No Rio Grande do Norte, artistas e profissionais ligados às mais diversas vertentes artísticas criaram, no dia 23 de abril de 2022, em Mossoró, a Cooperativa de Cultura Potiguar, a fim de unir forças e fortalecer o movimento cultural independente.

A nova entidade nasce em meio à luta pela aprovação da Lei Paulo Gustavo, que prevê a liberação de aproximadamente R$ 3,68 bilhões do Fundo Nacional de Cultura (FNC), semelhante à Lei Aldir Blanc, proposta e aprovada em 2021 e que fomentou o setor com a liberação de cerca de R$ 3 bilhões. Infelizmente, o texto foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro e resta ao Congresso Nacional derrubar o veto, para o qual é necessária a maioria absoluta dos votos de deputados e senadores (257 votos na Câmara e 41 votos no Senado).

Liderado por Renata Soraya e Dionízio do Apodi, o grupo potiguar se organizou a partir de uma comissão formada por nomes como Cumpadi Caboco, Geovanna Coelho, Hyarla Rodrigues, Igor Jácome, Odara Júliae Yadson Magalhães. Outras pessoas também se juntaram ao movimento, como Pollyana Campello, Cícero Mendes, Diego Ventura, Cláudio Henrique, Zelito Coringa, Alex Martins e Augusto Pinto. Renata Soraya é produtora cultural, dançarina e trabalha com audiovisual. Por mais de dez anos, fez parte do Grupo Diocesano de Dança, de Mossoró; em 2018, participou de um intercâmbio de dança no México. Dionízio do Apodi começou a fazer teatro no Grupo Universitário de Mossoró (GRUTUM), de onde saiu para fundar O Pessoal do Tarará, com o qual viajou para quase todos os estados brasileiros. Trabalhou com o ator e diretor Cacá Carvalho, na Casa Laboratório para as Artes do Teatro de São Paulo.

“Fizemos a série Mestres do Apodi e outros importantes registros da cultura popular, estabelecemos parceria através do espetáculo Alarido e criamos o Espaço Cultural no Meio do Mundo, de onde partiu o sonho para a criação da Cooperativa de Cultura Potiguar, na qual somos sócios-fundadores”, esclarece Renata, que conta ao Agora RN o processo de surgimento da entidade.

AGORA RN- Como surgiu a ideia de fundar a cooperativa cultural?

Renata Soaraya – Vivemos um momento desafiador em nosso país, principalmente a cultura que está em um processo de desmonte em nível nacional.

Mas, os desafios não se limitam ao nível federal, pois enfrentamos a ausência de políticas públicas em todas as
esferas (municipal, estadual e federal). Diante deste cenário, foi preciso encontrar novas possibilidades para conseguir seguir. O cooperativismo surgiu como uma forte alternativa dentro desse contexto.

AGORA RN – Quantas pessoas, quantos artistas, ou grupos, estão inseridos nesse processo?

RS – Iniciamos os debates de forma ampla até chegarmos em uma comissão de oito pessoas que passaram cerca de quatro meses se dedicando a estudar o cooperativismo. Passado esse primeiro momento de estudos, começamos a informar e convidar as trabalhadoras e trabalhadores da cultura para tomarem conhecimento do que então seria a Cooperativa de Cultura Potiguar. Nunca estivemos interessados ou preocupados na quantidade e sim na consciência das pessoas que estarão na Cooperativa.

Hoje, contamos com cerca de 50 pessoas, dentre elas grupos e coletivos.

AGORA RN – A Cooperativa já está oficializada? Quais são os projetos?

RS – A cooperativa já realiza ações importantes, principalmente com relação a debates. Estamos em uma articulação para construção da Lei Municipal do Circo, em Mossoró, e em um grupo de estudo para transformação da Lei Câmara Cascudo como possibilidade de democratização dos recursos da cultura no Estado do Rio Grande do
Norte. Quanto à oficialidade, estamos dando um passo de cada vez. No dia 23 de abril, fizemos nossa Assembleia de
Constituição, que aprovou estatuto, elegeu conselho administrativo e fiscal, e debateu os nossos próximos passos. Nos próximos dias, estaremos oficializando a Cooperativa.

AGORA RN – De que forma pretendem atuar?

RS – Todas as nossas ações estarão motivadas a atuar no fortalecimento de nossos cooperados e nossas cooperadas,
e consequentemente na cultura norte-riograndense. O nosso princípio sempre será o do cooperativismo. Existem dezenas de cooperativas legalmente constituídas, mas que não tem uma prática cooperativa. A Cooperativa de Cultura Potiguar quer manter esse desafio, que é o que tem juntado essas pessoas: agir de forma coletiva para fortalecer o que individualmente é impossível.

AGORA RN – A Cooperativa está restrita à região Oeste ou é aberta aos outros territórios do RN?

RS – A cooperativa é da cultura Potiguar, aberta para qualquer trabalhador e trabalhadora da cultura do estado
do RN, que esteja contemplado no quadro de atividades da cooperativa e que acredite no cooperativismo. Para saber mais, acesse @cooperativadeculturapotiguar.

Fonte: Agora RN